10- Encontro
Quando eu entrei no meu quarto, senti aquele cheiro, agora mais fraco. Senti uma tontura a me deitei. Minha cabeça estava cheia de perguntas que por mais que eu tentasse, não conseguia responder. Cai de costas na minha cama e tampei meu rosto com travesseiro.
Ouvi barulho de passos subindo a escada e senti o cheiro da minha mãe.
__Nem te vi chegando filha.__ Minha mãe disse, parando na porta do quarto. Tirei o travesseiro do rosto.
__Oi mãe. __Eu disse, me sentando e recostando na cabeceira da cama __ Eu estou muito cansada.__Também, depois de uma corrida dessas.
__Você veio andando?
__Vim, mais como vocês não estavam e casa eu fui dar uma volta,__Isso não era exatamente mentira __Ai encontrei o Peter na rua e ele me trouxe de carro.
__Ele tem carteira?
__Tem mãe.
__Quero conhecer esse rapaz filha.
__Você vai mãe.
__Por que você não traz ele pra jantar aqui amanha?
__Tudo bem, eu falo com ele amanha na escola.
__Ok. Já vai dormir?
__Só tenho que me arrumar e já vou sim. __Eu disse e depois dei um longo bocejo. Ela veio até mim e me deu um beijo na testa.
__Boa noite filha.
__Boa noite mãe.
Ela saiu e fechou a porta. Eu levantei e fui me arrumar para dormir.
__Sua mãe quer que eu vá jantar na sua casa hoje?__Peter perguntou enquanto dirigia para a escola. Estávamos no carro da mãe dele ( Eu tinha acabado de consertar o amassado quando ele chegou pra me buscar.)
__Esse é o plano.__Eu respondi.
__Que horas?
__O jantar costuma ser servido as 7horas então... chegue uma 6:30h. Pode ser?
__Por mim tudo bem.
__6:30h então.
Ficamos em um silêncio um pouco desconfortável até que Peter perguntou:
__Descobriu mais alguma coisa?
__Não.__Respondi sem emoção.
__Nervosa?
__Um pouco.
__Você pode conversar direito comigo?! __Ele disse num tom autoritário.
__Claro.__Eu respondi ainda sem emoção.
__Ashley, é serio.
__Tudo bem. O que você quer saber?
__Só quero conversar com você. Não posso?
__Pode. Mas sobre o que você quer conversar?
__Me fale como é sua mãe.
__Não precisa ficar nervoso Peter! Minha mãe só quer te conhecer, só isso!
__Eu não estou... Nervoso.
__Eu sei que está.
__Tudo bem, eu estou nervoso! Agora me diga como é a sua mãe!
__Ela é uma mãe normal Peter!
__Oh!Isso explica tudo.__Ele disse num tom irônico.
__Peter, olha. Minha mãe é quem tem motivos pra ficar nervosa perto de alguém como você. Só aja naturalmente Ok?
__Agir naturalmente... Ok.
__Você vai se sair bem, eu garanto.
__Espero que esteja certa.
__Eu estou.
Peter estacionou na frente da escola e foi abrir a porta pra mim. Caminhamos de mãos dadas até a sala de álgebra.
__A gente se vê? __Eu perguntei parando bem perto dele.
__A gente se vê. __ Ele disse e depois me deu um selinho e foi para sua próxima aula.
Eu estava acabando de passar batom quando a campainha tocou. Pulei todos os degraus da escada, pousando levemente sobre minha sandálias de salto e fuá atender a porta.
Peter estava lindo como sempre. Os cabelos lisos partidos levemente de lado, alguns fios jogados para traz, os olhos azuis cintilavam sobre a luz fluorescente, Ele usava uma alça Jean nem justa nem larga e uma camisa pólo azul marinho com um tênis de passeio.
Nas mãos ele segurava um buque de rosas, não muito grande- devia ter umas cinco rosas vermelhas.
__Oi Peter.__Eu disse sem fôlego, admirada com toda sua beleza.
__Oi Ashley.__Ele disse com um leve sorriso. Ele deu dois passos até onde eu estava, passou o braço livre por minha cintura, me puxado pra mais perto e me beijou. Claro que eu retribui. Passei os braços por seu pescoço e o trouxe pra mais perto.
Alguém pigarreou de perto do topo da escada. Peter se afastou imediatamente.
__Am... Oi mãe. Nem te vi chegar. __ Eu disse sem graça. Minha mãe foi até nós. __Mãe, esse é Peter Gardson, Peter essa é minha mãe Emma.
__É um prazer conhecê-la__ Peter disse estendendo a mão vazia para minha mãe. Ela respondeu ao gesto.
__Igualmente. __Ela disse. Ela estava sendo simpática, exatamente como eu tinha dito a ela.
__Am... Ashley, comprei isso pra você.__ Peter disse e me entregou as rosas.
__São lindas Peter, obrigada.__Eu disse ainda me derretendo.
__Deixe eu por isso na água. __ Minha mãe disse pegando as rosas dos meus braços. __ Por que não mostra o apartamento pra ele filha?
__É uma ótima idéia mãe. __Eu disse __Venha Peter.
Minha mãe foi até a cozinha e eu guiei Peter até o segundo andar. Abri a primeira porta e mostrei o quarto da minha mãe, a segunda e mostrei o banheiro, a terceira e mostrei o quarto da minha irmã - o menor de todos os 3 – e a ultima e mostrei meu quarto. __Entre. __ Eu disse e ele me seguiu para dentro do quarto. Ele olhava os detalhes na cabeceira da cama e do corrimão da pequena escada caracol que subia para o segundo nível.
__É um belo quarto esse que você tem não é? __Ele disse depois de ter olhado tudo.__O maior de todos também.
__ É que antes eu o dividia com a minha irmã. Minha irmã ficou com o menor, que antes era dos meus avós, por que está quase entrando na faculdade e não vai precisar de um quarto grande aqui já que vai estar morando lá, então minha mãe deixou eu ficar com a suíte.
__Bom pra você. __Ele disse parando na minha frente, o rosto a centímetros do meu.
__É eu sei. Agora eu tenho que te mostrar o andar de baixo.
Mostrei o banheiro de visitas, a sala de jantar e por ultimo a cozinha, onde minha mãe estava acabando de preparar o jantar.
__Podem ir para a mesa crianças. O jantar já está quase pronto.__Minha mãe disse abrindo o forno.
Eu e Peter nos sentamos na mesa de jantar, um do lado do outro. Minha mãe tirou a magnífica lasanha do forno e pôs na mesa. Depois pegou o refrigerante na geladeira, serviu nossos copos e pôs lasanha e arroz em nossos pratos. Depois se sentou na cabeceira da mesa, ao lado de Peter.
__E então rapaz.__ ela começou. __ Ashley me disse que você morava na Inglaterra. Certo?
__Certo. __Ele respondeu e depois deu uma garfada na lasanha que por acaso estava deliciosa. __Está ótima a Lasanha Sra. Greece .
__Por favor, me chame de Emma. Bem, me diga sobre sua vida na Inglaterra.
__Eu vivia com meus pais e meus avós em Londres, minha mãe era chef num restaurante por lá. Eu estudava em uma das melhores escolas da cidade.
__Fale sobre suas amizades.
__Meu melhor amigo era Mike Norman. Ele foi a primeira pessoa que eu conheci logo que me mudei pra lá.
__Vocês ainda mantém contato.
__Sim.
Notei que Peter estava tenso. Eu podia ouvir sua pulsação, bem baixo, mas estava acelerada.
Como são suas notas? Você gosta de que musicas? Você toca algum instrumento? Gosta de algum livro em particular? Já conheceu muitos países? Fala quantas línguas?
Entre essas e outras perguntas, Peter respondeu sem pestanejar, sempre impressionando minha mãe com as respostas, que eram todas verdadeiras, claro.
Mas as vezes eu tinha que segurar o riso, notando o nervosismo dele e tive que segurar mais ainda quando percebi o que minha mãe estava fazendo: Tentando achar algum defeito em Peter.
Mas parece que ela conseguiu quando perguntou:
__Que profissão você pretende seguir?
Peter ficou mudo, gaguejou alguma coisa e depois disse, num sussurro:
__Não pensei nisso ainda.
__Sei. Bem você tem que pesar rápido certo? Falta apenas alguns anos para a formatura.
__É, eu sei. Já pensei em arquitetura, medicina, biologia, direito, mas nada me agrada de verdade. Quero dizer, eu já pensei em seguir carreira musical, mas meu pai não gosta da idéia.
__E nem eu. __Minha mãe sussurrou tão baixo que só eu ouvi. Lancei um olhar ameaçador pra ela, que imediatamente se corrigiu __Bem, você tem que fazer algo que goste. E é perigoso se aventurar na musica, pra isso você tem que saber que tem talento.
__Bem, isso eu posso dizer que eu tenho... Quero dizer... Porque me disseram.
__Por que você não toca algo pra nós? A irmã de Ashley tem um violão.
__Por mim tudo bem.
Mas eu pude ouvir a pulsação dele acelerar imediatamente.
Fui até o quarto da minha irmã e peguei o violão preto que ela havia deixado sobre a cama. Devia estar afinado, já que ela estava tocando mais sedo.
Quando voltei eles estavam sentados na sala. Entreguei o violão a ele, que começou a conferir a afinação. Depois de alguns ajustes ele começou a tocar e imediatamente reconheci a musica: Falling in Love, do McFly. E quando ele começou a cantar meu queixo deve ter encostado no chão. Ele catava muito! E era voz dele mesmo, quero dizer, ele não estava forçando nem nada. Era a mesma voz levemente rouca e suave, mas ao mesmo tempo máscula e... irresistível.
Ele tocou cada nota com perfeição e cantou com a afinação perfeita. Notei que a reação da minha mãe foi a mesma que a minha.
Quando ele acabou de tocar nós duas aplaudimos fervorosamente.
Meu namorado era um astro do rock!
Ele ficou todo sem graça com nossos aplausos.
Ele foi embora mais ou menos oito e meia e eu fiquei lá, lembrando dele cantando.
Eu nunca tinha imaginado que ele era tão bom assim! Quer dizer, eu sabia que ele era bom, mas não TÃO bom!
Fui para o meu quarto e vesti meu pijama, escovei meus dentes e tirei minhas lentes.
Ok. Não vou mentir, porque eu sonhei com ele, e foi lindo! Sonhei que nós estávamos no parque, naquele lugar de sempre, mas ele estava tocando pra mim. Era noite, a lua refletida no lago. Mas o sonho foi curto de mais, pois acordei com um barulho no meu quarto.
A primeira coisa que eu senti foi o cheiro. Ah, aquele cheiro. Depois eu vi que a porta de vidro que dava pra varanda estava aberta. Mas ele não estava no quarto. Deve ter saído quando viu que eu estava acordando.
Olhei no meu relógio. Cinco e meia da manha. Duvido que eu conseguiria dormir com esse cheiro aqui.
Então fiz o que qualquer um na minha situação faria ( eu acho ): me levantei, vesti uma calça jeans, um tênis e uma camiseta, penteei meu cabelo e escovei os dentes. Tudo isso na metade do tempo que uma pessoa normal faria. Mas não foi só isso. Depois, fui até a varanda e pulei.
Até metade do caminho foi o mesmo que o da ultima vez, mas depois o cheiro foi ficando mais recente e o percurso mudou, repentinamente, no meio da mata.
Acelerei na esperança de alcançar o dono daquele cheiro , que ficava cada vez mais forte. Eu estava chegando perto.
Olhei pra baixo e notei as fortes pegadas, marcadas na terra úmida. Eram pés grandes. Acelerei mais ainda e o cheiro ficou ainda mais forte.Corri por mais uns dois minutos.
De repente freei. Estava em uma grande clareira, do tamanho de um campo de futebol e no centro, um homem alto e magro, com cabelos negros curtos e um cavanhaque no rosto. Ele usava um terno preto, a barra da calça suja de barro.
__Ashley Brandom Greece. Finalmente. __Ele disse dando alguns passos na minha direção. Eu não me movi.
__Você sabe meu nome, mas eu não sei o seu. __Eu disse, seria.
__Joan Grambonny.
__E o que você quero comigo.
__Nada de mais... Apenas... Sua lealdade. __Ele disse com um sorriso malicioso
__Pra que?
__Dominação da raça Anymalius e futuramente... dominação mundial.
__Não conte comigo.__Eu disse mantendo tom serio e inexpressivo.
__Oh, Srta. Greece, sinto que você não tem muita opção.
__Mas por que eu?
__Haha! Por que você?! Bem você é a Anymalius mais forte que eu já conheci.
__Eu, forte?! __Tudo bem, agora eu estava surpresa.
__Eu vim te seguindo dês de seus 10 anos de idade, a acompanhei sua crescimento e desenvolvimento e fiquei fascinado com sua força e velocidade.
__O que?!
__Você lembra de quando você tinha 12 anos e levantou o carro da sua mãe pra tirar sua bola que tinha ficado presa lá embaixo?
__Ah... acho que sim.
__Nenhum Anymalius de 12 anos de idade consegue fazer isso. E uma de 16 normalmente não consegue parar um carro a 70 quilômetros por hora, mesmo que o motorista tenha freado na ultima hora.
__O- o que?! Espera! Como você sabe disso?! Eu não senti seu cheiro...
__Eu tenho correspondentes Srta. Greece __Ele interrompeu. No mesmo instante vários outros cheiros se juntaram aos nossos. Não estávamos sozinhos, mas eu não podia vê-los __ Você é o ultimo troféu que eu quero para minha instante.
__Eu não vou me juntar a você Joan!
__Já disse e repito, não é algo que você possa escolher.
__Você acha que pode me enfrentar então? Mesmo dizendo que eu sou a Anymalius mais forte que você já viu?
__Você pode ser mais forte do que eu, mas não é mais forte que todos nós juntos.
__O que?!
Foi ai que eu vi. Eles saíram do meio das arvores. Eram muitos, deviam ser pelo menos 10. 10 pares de olhos, alguns brilhantes, como os meus, outros mais discretos, como os de Joan. Eram todos homens, fortes e altos. Eu não era páreo contra eles.
Eu não costumo fugir, mas dessa vez não tinha saída. Eu podia não ser mais forte que todos eles juntos, mas eles não podiam fazer nada sobre minha velocidade.
Corri por entre as arvores os mais rápido que pude e notei que cada vez eles ficavam mais pra traz. Ouvi o barulho de água a uns 50 metros. Um rio. Segui na direção dele e sem pensar duas vezes, dei impulso em uma pedra e saltei, deixando um pequeno buraco na rocha, onde, a alguns instantes atrás, estava meu pé.
Quando pousei do outro lado do rio, continuei correndo. Não fazia idéia de pra onde estava indo, mas sabia que eles haviam ficado pra trás.
Ouvi os sons de alguns carros. Devia estar perto da rodovia, e havia um lugar perto da rodovia pra onde eu podia ir. Um lugar em que eu não estaria segura, e pra onde eu sei que não deveria ir, mas era a única pessoa pra quem eu podia pedir ajuda.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
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Nossa!!! Cada vez melhor, cada vez fico mas facinada na historia. Parabens!!!!!!nota 100000000000000000000..............
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