quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Capítulo 11

Treinamento

Parei na frente da casa. Só havia estado duas vezes, mas mesmo assim, me sentia em casa.
Atravessei o pequeno jardim e parei em frente à porta de vidro. Eu não deveria bater a campainha, certo? Eu não queria acordar a casa toda. Só uma pessoa.
Olhei para cima e vi que a janela de seu quarto estava aberta. Ótimo.
A rua estava deserta, então eu poderia “escalar” a parede sem levantar suspeitas.
Fui até uma das arvores próximas à janela e a escalei com facilidade. Depois foi fácil me esticar e alcançar a janela aberta.
Dentro do quarto estava ainda mais silencioso. Apenas a minha respiração e a dele quebrava o silencio.
Segui até sua cama.
Ele ficava inda mais lindo dormindo.
Peter. MEU Peter.
Eu não podia colocá-lo em perigo assim. Não podia!
Meus joelhos cederam e eu caí ajoelhada, ao lado da cama. Um soluço saiu de minha garganta e uma lagrima escorreu por meu rosto.
Fiquei ali, soluçando, afagando seu rosto com a posta dos dedos. E ele dormia.
Eu não podia! Não podia!
Me debrucei sobre a cama e escondi meu rosto em meu braços. Por mais que eu tentasse abafá-los, os soluços ficavam cada vez mais altos.
Me lembrei de minha breve conversa com Joan. Um breve momento que pra mim foi como horas. Desesperei-me ainda mais.
Ele viria atrás de mim!
Um soluço, o mais alto de todos, saiu pela minha garganta. Senti Peter se mexer mas não levantei o rosto. Ele ainda devia estar dormindo.
__A- Ashley?! __Ouvi sua voz soar na minha frente, mais rouca que o habitual. Levantei o rosto e olhei seus olhos azuis, semi-serrador por causa da luz que entrava pela janela.
__Ashley... você está chorando.
Fiz que não com a cabeça e enxuguei meu rosto com as costas da mão.
__É claro que você está chorando Ashley.
Então eu não resisti. Meu joguei nele e o abracei, enterrando meu rosto em seu pescoço e deixando que as lagrimas escorressem livremente, molhando sua camiseta.
__O que foi?! __Ele perguntou preocupado. __ Me diz. O que foi?!
__J- Joan!__Eu disse, soluçando.
__Quem é Joan?
__Aque-le ho-mem, que es-tava me seguin-do __Eu disse, entre soluços.
__O que?! __Ele disse me afastando e olhando nos meus olhos. Ficamos nos olhando por um longo tempo, ele com uma expressão perplexa e eu ainda soluçando, mas não tanto quando antes. __ O que ele quer Ashley? __Ele perguntou, quase num sussurro.
Respirei fundo, enxuguei os olhos com as costas da mão, respirei fundo e respondi bem devagar:
__Ele disse alguma coisa sobre, dominação mundial. Disse que queria que eu me juntasse a ele e que eu era a Anymalius mais forte que ele já viu.
Como ele continuou em silencio, me encarando com aquela expressão perplexa, eu continuei:
__Eu disse que não me juntaria a ele então os capangas grandões dele saíram de dentro da mata e vieram pra cima de mim, mas eu corri e consegui despistá-los, mas eu fiz a maior idiotice, vindo até aqui, porque agora eles vão seguir meu rastro até aqui e te machucar! E eu não devia ter te metido nessa história!
__Você fez a coisa certa Ashley.
__Não, eu não fiz. Você não entende Peter! Eles são muitos! E mesmo eu sendo tão forte quanto eles pensam eu não vou conseguir me proteger, quanto menos te proteger!
__Ashley... __Ele ia dizer alguma coisa, mas ao invés disso, respirou fundo, olhou pra baixo por alguns instantes e depois se pois de pé. __Use o truque de Joan contra ele!
__O que?!
__Olha, vamos fazer o seguinte, eu vou de carro até a rodovia e te espero em um lugar combinado, você cria uma trilha pela mata que de onde o carro está parado e entra no carro e nós vamos pra bem longe.
__E o que a gente faz depois?
__Não sei! Tem algum jeito de disfarçar seu cheiro?
__Sim. Acho que seu eu passar bastante perfume e colocar roupas de uma pessoa que eles não conhecem o cheiro... pode ser que de pra despistá-los.
Ele abriu seu armário e tirou algumas roupas.
__Eles conhecem seu cheiro Peter. __Eu disse
__São pra mim!
__Exatamente. As roupas do seu pai te servem?
__Servem.
__E as da sua mãe me servem?
__Acho que sim.
__Ótimo. Só precisamos de perfume.

O plano era o seguinte:
Eu iria fazer uma trilha longa pela mata e me encontro com Peter perto do mirante. Nós vamos de carro até Carmel e lá trocamos de roupa e ficamos até as coisas se acalmarem.
Quando ele já estava vestido e com as “malas” feitas, fomos até o carro. Eram um pouco mais de seis horas, e os pais de Peter iriam acordar logo.
__Ok. A gente se encontra perto do mirante. __Eu disse enquanto ele guardava a mochila no banco de trás.
__Certo.__Ele disse, ainda de costas, depois se virou pra mim e me olhou nos olhos.__Boa sorte __Depois ele me puxou e me beijou. Um beijo de despedida. Não durou nem 20 segundos, porque depois ele me afastou, me olhou nos olhos e disse __É melhor você ir logo.
Apenas acenei com a cabeça e disparei em direção a mata.
Durante todo o percurso eu fiquei atenta a todos os cheiros e sons.
Fiz um longo desvio e deixei o caminho bem longo. Por um momento jurei estar sendo seguida. Até senti os cheiros.
Acelerei bruscamente e eles ficaram pra trás.
Peter estava me esperando exatamente onde havíamos combinado, o carro ligado.
Pulei para dentro do carro e disse:
__Vamos.
Ele não respondeu, apenas acelerou e em mais ou menos uma hora, estávamos e Carmel.
Eu não tinha idéia do que faríamos por aqui, só sei que ficaríamos até as coisas se acalmarem ou até que eles viessem atrás de mim. Primeiro paramos em um charmoso café para comer, afinal, não tínhamos comido nada. Como a mesada do meu querido namorado não era nada baixa deu pra comermos bem. Não fazia idéia de onde ficaríamos, mas com certeza Peter podia pagar por uma noite numa pousada qualquer. Eu não queria que ele fizesse isso. Insisti que eu pagaria por estar causando tanto problema a ele e ele disse que eu não tinha que pagar coisa nenhuma. Estávamos lá, comendo nossas panquecas, sentados na mesa de café, eu de óculos escuros, já que minhas lentes haviam virado pó mais ou menos no momentos em que comecei a correr. Comíamos em silencio.Notei alguns olhares em mim. Por mais que fosse normal usar óculos escuros em Carmel, notei que não era exatamente comum usá-los num lugar fechado em um dos raros dias com nuvens em Carmel. __Ashley. __Peter sussurrou depois de muitos minutos de silencio __Não olhe agora, mas tem um cara ali que está te encarando dês de que chegamos.Não obedeci ao comando de Peter e imediatamente me virei e me deparei com um rosto conhecido. Não sabia quem era, mas sabia que o conhecia.__Eu conheço esse cara!__Eu disse, e isso não era bem um sussurro.__Mas não me lembro de onde. __Ele está vindo pra cá. __Peter sussurrou. Vi o senhor se aproximar de nossa mesa. Ele devia ter uns sessenta e tantos anos e tinha os cabelos grisalhos e uma barba curta.Ele parou ao lado de nossa mesa e disse:__Você não seria Ashley Greece? Seria? __Sim. Sou eu. __Eu respondi, confusa__Desculpe, mas não pude deixar de ouvir sua conversa.__Mais como...? Quem seria o senhor.__Dtr. Frederick Millan. Sua mãe procurou minha ajuda quando você era pequena.__Você!__Eu exclamei, por algum motivo sentindo grande felicidade! __Eu não disse Peter?! Eu sabia que o conhecia de algum lugar!
__Você!__Eu exclamei, por algum motivo sentindo grande felicidade! __Eu não disse Peter?! Eu sabia que o conhecia de algum lugar!Notando como Frederick olhava para Peter, eu disse:__Oh! Me desculpe Dtr. Millan! Esse é meu namorado, Peter Gardson.__É um prazer conhecê-lo rapaz. __ Frederick disse, estendendo a mão para Peter, que respondeu ao gesto, silenciosamente. __E por favor, Ashley, me chame de Frederick.__Sim doutor... quero dizer, Frederick. __Me corrigi__Mas Ashley... __Frederick disse, olhando para Peter __Ele também...?__Não senhor, ele não é um de nós. Mas ele sabe de tudo.__Oh! Claro, claro! __Peter permanecia em silencio __Mas o que os trás a Carmel? Você não morava em Cursmell?__Estamos fugindo. __Peter finalmente disse alguma coisa__Peter, não vamos envolver Frederick nisso. Por favor.__Fugindo?! __Frederick exclamou, espantado __ De quem?__Joan Grambonny. __Peter respondeu, me desobedecendo__Peter! __Eu o apreendi__Ah não! Ele não! __Frederick exclamou preocupado. __Esse homem é a treva! Por favor, deixe-me ajudá-los! Podem ficar em minha casa se quiserem! __Por favor Frederick, __Eu disse negando __Não posso colocar você em perigo também.
__Eu já estou em perigo! Olha, não podemos conversar aqui. Venham a minha casa e eu lhes explico tudo.
Peter deixou uma nota de 20 sobre a mesa e nós seguimos Frederick até seu carro.
Sua casa era muito bonita, tinha dois andares, era branca e tinha um charmoso jardim.
A decoração era de classe.
Seguimos até um lugar que devia funcionar como uma biblioteca particular, pela quantidade de livros.
__Por favor, sentem-se. __Frederick pediu
Nos sentamos em um sofá de dois lugares. Frederick foi até uma das estantes e procurou por um livro.
Depois se sentou em uma poltrona perto de nós, com o grosso livro nas mãos.
__Ashley, __Frederick disse, enquanto procurava algo no livro.__ você sabe por que é tão poderosa?
__Eu estou tentando responder essa pergunta dês de que Joan disse que eu era o Anymalius mais forte que ele já viu.
__Você não é só a mais poderosa que ele já viu Ashley. __Ele disse parando em uma determinada pagina e me entregando o livro. __Leia o que diz nessa pagina querida.
Hesitei por um momento e depois meus olhos seguiram para o começo da pagina.
“Diz a lenda, que existem aqueles chamados Anymalius – Elementares. Existe apenas um por vez em todo o mundo e sempre que um morre, imediatamente nasce outro.
“Os Elementares são sempre mais fortes e mais rápidos que os outros Anymalius mas o que os tornam tão diferentes dos outros não é só isso. Eles também podem controlar os elementos. Terra, Água , Ar e Fogo. Esses poderes amadurecem quando o Anymalius chega a puberdade.
“Os filhos de Elementares sempre serão Anymalius, mas Anymalius com habilidades comuns.”
Logo abaixo havia uma ilustração. Um homem com roupas medievais e olhos amarelos, em torno dele flutuavam água, terra, ar e fogo.
Fiquei olhando para aquilo, abismada.
__Não. Não pode ser! __Eu exclamei, ainda com os olhos na foto.
__Você pode fazer isso Ashley? __Peter perguntou, Provavelmente havia lido aquilo também.
__Não que eu saiba. __Eu respondi, praticamente num sussurro.
__Exatamente. __Frederick disse __ Agora que você sabe, tem que aprender a controlar.
__Isso não é possível! Eu nunca... nunca... espera, o meu corpo se aquece sempre que eu fico nervosa. Isso tem alguma coisa a ver?
__Fogo. O seu corpo se aquece facilitando que você produza fogo. Quando você está calma é necessário muito mais concentração.
__Entendi. Podemos começar a praticar agora? __ Eu perguntei impaciente. __Acho que já estou nervosa o bastante pra tornar isso mais fácil.
__Não tenho duvida disso. __Peter disse, tirando o braço que estava sobre meus ombros. __ Você fica cada vez mais quente!
__Venham, tem bastante espaço lá nos fundos. __Frederick disse, nos guiando para os fundos da casa. Era um espaço bem grande, do tamanho de uma quadra de vôlei. Frederick recomendou que Peter não ficasse muito perto, então ele se sentou num banco perto da porta.
Eu e Frederick fomos para o centro do gramado.
__Feche os olhos e concentre-se. __Ele disse e eu obedeci. __ Mande todo o calor do seu corpo para suas mãos. Apenas suas mãos. __Fiz o que ele mandou. Senti minhas mãos se esquentarem e depois senti cheiro de fumaça. __ Você está quase lá Ashley. Já conseguiu faze fumaça. Faça o seguinte: leve todo o calor do seu corpo para a ponta dos dedos. __ Me concentrei ainda mais e senti meus dedos se aquecerem aos poucos. Senti o cheiro de fumaça novamente, só que muito mais forte e ouvi o barulho do fogo. Imediatamente abri os olhos e olhei pras minhas mãos. Foi o suficiente para eu ver o fogo nas pontas dos meus dedos, se apagar.
__Muito bom Ashley!!__Frederick disse. Olhei a expressão de Peter, ele estava impressionado, sorrindo pra mim.__Vamos tentar mais uma vez, mas quando for abrir os olhos, mantenha o calor nos seus dedos. Certo?__Certo. __Eu respondi, fechando os olhos novamente. A principio foi tudo como antes, senti meus dedos se aquecerem e ouvi o barulho do fogo, mas antes de abrir os olhos novamente, tentei mandar mais calor para as minhas mãos. Senti o fogo aumentar e cobrir minhas duas mãos. Fiquei assim por alguns instantes e fui, lentamente, abrindo os olhos, mantendo o calor em minhas mãos. Levantei minhas mãos flamejantes na frente do meu corpo, com as palmas viradas pra mim. __Excelente! __Frederick disse, num sussurro.__Mantenha as chamas em suas mãos. Volto em um minuto. __E disparou para dentro da casa. Não demorou nem meio minuto pra voltar, carregando uma bacia de metal, cheia de água. A colocou na minha frente, a uns 4 metros de distancia.__Agora tente lançar as chamas dentro da bacia. Assenti com a cabeça e respirei fundo. Concentrei-me no objeto metálico na minha frente. Levantei meu braço direito e o movi, como se fosse jogar uma bola de basebol. O fogo em minha mão voou até a bacia e fez um som baixo quando se apagou na água, fazendo fumaça.
__Nunca imaginei que você prenderia tão rápido! __Frederick disse, vindo até onde eu estava. __Agora temos que tentar os outros elementos.
Frederick pegou a bacia e a trouxe pra mais perto de mim.
__Agora tente controlar a água. __Ele disse __Pra isso você terá que ficar de olhos abertos. Olhe bem para a água e concentre-se, depois tire-a da bacia, usando as mãos, mais sem tocar na água.
Por um momento eu não fazia idéia de como fazer aquilo, mas então, ao olhar pra água, senti como se ela estivesse de alguma maneira, presa a mim. Coloquei meu breco esticado, na frente do meu corpo, a palma da mão virada pra baixo e fui o levantando. Senti uma leve pressão na minha mão e depois vi a água se levantar da bacia, aos poucos, como um redemoinho, depois parei de mover o braço, mas a água continuou a subir, até se moldar a minha mão.
__Bom. __Frederick disse __Agora quero que faça como fez com o fogo. Lance a água de volta a bacia.
Dei alguns paços pra traz, foquei a bacia e depois repeti o movimento que havia feito com o fogo, vendo a água voar como uma bola e se espatifar contra a água que havia sobrado na bacia.
Algumas gotas caíram no meu rosto e na minha blusa, quero dizer, na blusa de Rachel.
__Realmente impressionante!__Frederick disse __Mas chega por enquanto. Descanse um pouco e depois tentamos os outros elementos.
__Tudo bem. __Eu disse, me virando e indo na direção de Peter, que estava vindo em meu encontro.__O que achou?
__Fascinante. __Peter respondeu
__Só isso?!__Eu perguntei, fazendo beicinho
__Fascinante, inacreditável, inacreditável... Esqueci algum adjetivo?
__Acho que só esse já está bom.
Fomos pra dentro da casa e Frederick disse que eu podia usar o telefone e o computador se precisasse falar com alguém.
Corri para o telefone e digitei o número da minha casa. Chamou duas vezes e então a voz desesperada da minha mãe atendeu:
__Alô?
__Mãe! Oi é a Ashley! __Eu disse, tentando parecer o mais calma possível.
__Ashley! Ashley minha filha! Onde você está?!
__Eu estou em Carmel mãe. Eu, o Peter e o doutor Frederick Millan. Aquele que você procurou quando eu era pequena.
__O que você está fazendo ai minha filha?!
__Olha mãe, não é nada, só que começaram a acontecer algumas coisas estranhas comigo e eu vim atrás do doutor! Eu posso controlar os quatro elementos mãe! É por isso que meu corpo esquenta tanto quando eu fico nervosa!
__Ah minha filha! Eu fiquei tão preocupada! Nem falei nada com seu pai, não queria deixá-lo nervoso. Olha, eu estou indo para aí viu?
__Não mãe! __Eu quase gritei __Não venha. Fique ai. Eu não demoro Ok?!
__Promete?
__Eu não posso garantir, mas vou fazer o possível. Olha, não conte nada pro meu pai Ok?
__Tudo bem filha. Eu te amo.
__Eu também te amo mãe. __E desliguei. Peter que estava ao meu lado parecia preocupado.
__Você tem o que mentir para a sua mãe, mas o que eu vou falar para a minha?__Peter disse
__Diga que... você precisou vir pra cá comigo, mas dia que já está tudo sobre controle. Diga que foi uma emergência médica e diga pra eles não falarem nada pro meu pão ok?
__Tudo bem... Mas que tipo de emergência médica?
__Diga que eu, me machuquei e pedi que você viesse me encontrar em Carmel, diga que eu estou com a minha mãe. Ah! Diga que eu vim pra cá por que o meu médico estava aqui e não tinha tempo de procurar outro.
__Acha que vai funcionar?
__Não custa nada tentar.
Peter discou o número chamou uma vez, então uma voz masculina atendeu, mas não era a voz do pai de Peter e eu sabia muito bem de quem era essa voz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário