quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Capítulo 12

Chantagem

No instante em que ouvi aquela voz meu coração disparou e eu gelei (se me permite a ironia)
__Quem é? __Peter perguntou, mas não deu tempo de ninguém responder pois o telefone já estava nas minhas mãos.
__Por favor, não faça nada com Rachel e Jack!__Eu disse, desesperada
__Ah, minha cara __Joan disse do outro lado da linha__ eu não farei. Basta você cooperar.
__O que você quer?__Eu perguntei, tremula. Peter me olhava, confuso
__Você sabe o que eu quero.
__Outra coisa. O que mais você quer pra que você pare de me perseguir e deixe eles em paz?
__Am ... Deixe-me pensar... Uma grande quantia em dinheiro pode ser bom.
__Quanto?
__$50.000,00.
Ótimo! Eu tinha isso, mas só que era pra comprar meu carro! Mas minha sanidade vale mais que um carro.
__Se eu tiver você para de me atormentar, e aos outros?
__Talvez...
__Eu quero uma garantia.
__Me de o dinheiro e... quero que faça uma coisinha pra mim.
__O que?__Eu disse com os dentes trincados, tentando controlar a raiva que estava tomando o lugar do medo.
__Quero que você faça algo com alguém por mim. Algo que eu quero fazer a muito tempo, mas prefiro não sujar a minhas mãos.
__Diz logo o que é! __Eu gritei, a raiva me consumindo
__Calma minha cara! Eu vou dizer. É algo bem fácil, pra você pelo menos... sem mais delongas, quero que mate o Doutor Frederick Millan.
Foi ai que meu coração parou. Digo, senti como se ele parasse, senti minhas pernas tremerem e senti um suor gelado descer por meu rosto.
__Eu não vou fazer isso!
__Ah... você vai sim, pelo seu bem, do seu namoradinho, da sua família e da família dele.
__Eu não vou meter ninguém mais nisso. Sugiro algo melhor, que inclui apenas nós dois. Uma luta, na clareira, meia noite.
__Por mim tudo bem.
__Não vale ajuda. É só você contra eu. Nada da ajuda dos seus capangas. __Ouve um longo silencio, que eu mesma interrompi __O que Joan? Vai amarelar, é?__Eu disse com um tom sarcástico, mas na verdade eu estava nervosa.
__Não, não vou. Me encontre na clareira a meia noite. Combinaremos as regras lá. Vou levar seus queridos sogros e seu cunhadinho também, então é melhor não se atrasar. Melhor pra você e melhor pra eles também.
__Estarei lá. __E desliguei. Acho que com um pouco de força de mais, pois telefone se partiu ao meio.
Fiquei um tempo olhando para as minhas mãos, sem palavras, até que um abraço aconchegante me consolou. Tinha me esquecido completamente dele. Passei meus braços em volta dele e escondi meu rosto em seu pescoço.
Agora já estava feito. Eu ia enfrentá-lo e ia vencê-lo.
__Era ele, não era? __Peter perguntou. Eu apenas assenti com a cabeça. __E você vai enfrentá-lo. Não vou dizer que eu gosto disso mas... o que foi que ele disse, antes de você propor uma batalha.
__Ele queria $50.000,00 e queria que eu... que eu matasse o Dtr. Frederick.
__Então você fez a escolha certa. Eu estaria extremamente preocupado se eu não soubesse que você é muito mais forte que ele.
__Acho que eu também não teria proposto. Ele esta com seus pais Peter. E seu irmão.
Peter só deu um longo suspiro e permaneceu em silêncio. Como nós ainda estávamos abraçados, eu não pude ver sua expressão, mas ele parecia tenso.
Seguimos para a biblioteca, onde Frederick procurava algo em um livro grosso.
Explicamos tudo a ele e ele disse que íamos partir as 9 da noite e chegaríamos no mínimo meia hora antes na clareira.
Frederick disse que devíamos treinar os outros elementos. Ele disse que os outros eram mais fáceis. Me perguntava como ele sabia tanto sobre como me treinar. Os livros não podiam conter todas essas informações. Resolvi perguntar a ele:
__Frederick, se me permite a pergunta, mas... Como você tanto sobre como controlar os elementos assim?
__Meu pai era como você Ashley. Ele também era um Elementar e me eu assistia ele treinar quando era pequeno. Ele morreu um pouco antes de você nascer... em uma emboscada com Joan. Joan era mais novo mas tinha muitos capangas. Eles o cercaram e Joan disse para ele se juntar a eles. Meu pai, obviamente, negou, então Joan disse que se os poderes do meu pai não podiam ser usado a seu favor, que eles não seriam usados pra mais nada. Então o matou. Mas ele não conhecia as lendas. Não fazia idéia de que era uma questão de meses para outro como o meu pai nascer. Você.
Realmente terra e ar eram mais fáceis.
Controlar a terra era como... Como se existissem cordas amarradas as minhas mãos e de algum maneira à terra. Eu só tinha que me concentrar e fazer com que o peso que estava preso as minhas mãos se erguessem.
Depois de algumas tentativas, consegui fazer com que dois blocos de terra se mantivessem no ar por 30 segundos.
Depois de algumas repetições, passei para o ar, que com certeza era o mais fácil de todos. Eu só precisava de concentração. A brisa se movia em volta de mim com leveza, seguindo o comando de minhas mãos.
Frederick disse que com o tempo eu não precisaria mais usar as mãos, não só no ar, como nos outros elementos.
Treinamos por mais ou menos uma hora e meia, o que me deixou bem cansada.
Frederick recomendou que eu me deitasse e foi preparar o almoço.
Eu fui para o quarto de visitas (que por acaso era uma graça) e Peter me seguiu.
Me deitei na larga cama cor de rosa, minha cabeça afundando nos travesseiros fofos. Peter se recostou ao meu lado.
Meus olhos fecharam sem meu comando. Senti Peter acariciar meu cabelo. A principio pensei que não fosse conseguir dormir, mas como a cansaço era maior que a ansiedade, em menos de um minuto eu já havia apagado.
Acordei com algumas vozes dentro do quarto. Eram sussurradas, mas era o bastante pra me acordar. Esfreguei meus olhos antes mesmo de abri-los e soltei um longo bocejo.
Parei de esfregar os olhos logo que ouvi alguns passos se aproximando e depois senti alguém se sentar ao meu lado na beirada da cama. Abri os olhos.
Peter me olhava com um leve sorriso nos lábios, mas o sorriso não chegava a seus olhos. Ele afagou meu rosto com a ponta dos dedos. Eu não disse nada, com medo de como minha voz ia sair.
__É melhor você comer agora Ashley. __Frederick disse de perto da porta.. __Já são 4 horas. __ Olhei para ele e assenti com a cabeça.
__Nós já comemos. __Peter me informou
Levantei-me rápido e segui Frederick até a cozinha branca. Ele preparou um sanduíche reforçado pra mim e um copo de suco.
Comi em silencio, tentando me concentrar apenas naquele delicioso sanduíche.
Peter não tirou os olhos de mim enquanto eu comia.
__Nervosa? __Peter perguntou quando Frederick saiu da cozinha.
__Claro.__Eu disse, soando como se fosse óbvio, o que era.
__Você consegue Ash. Eu não deixaria você lutar se não tivesse certeza disso.
Ash... era a primeira vez que ele me chamava assim.
__Mesmo que eu não fosse eu não precisaria que você deixasse Pett. __Eu disse, também era a primeira vez que eu o chamava de Pett.
Ele apenas sorriu.
Terminei de comer e fui para a varanda. Eu ia treinar mais, não importava se eu ficasse cansada. Se ficasse eu dormiria no carro a caminho de Cursmell.
Peter me seguiu e se sentou novamente no banco. A bacia d’água ainda estava lá, onde Frederick havia deixado. Fechei os olhos e mandei o calor para as mãos que inflamaram mais rápido dessa vez. Atirei bolas de fogo na água, seguidamente, despejando toda minha raiva. Quando notei que toda a água havia evaporado, parei, ofegante, e deixei meu corpo cair. Deitei-me no gramado e fiquei olhando para o céu, que já estava escurecendo.
Ouvi Peter se aproximar a se sentar ao meu lado, minha respiração ainda instável.
__Se você fizer assim hoje a noite, Joan não vai durar nem um minuto.
Eu tive que rir com esse comentário, mais minha risada não durou muito, porque quando eu vi, eu estava chorando.
Sentei-me rápido tentando secar as lagrimas que encharcavam meu rosto, mas Peter me puxou para junto dele. Ninguém disse nada, ele só afagava meus cabelos quanto minhas lagrimas encharcavam sua camisa.
Eu sei que eu podia fazer isso... se Joan cumprisse o trato e lutasse sem ajuda. Mas Joan não parece o tipo que cumpre tratos, o que me deixava bem mais que preocupada.
Medo, raiva, arrependimento... Eu sentia tudo isso ao mesmo tempo. Não sei como Peter estava agüentando, porque eu devia estar mais quente que nunca.
__Olha Ashley... __Peter começou a falar, quando meus soluços já haviam quase cessado __ eu sei que você está preocupada mais...
__Peter... __Eu interrompi, saindo se seus braços e o olhando nos olhos__ eu estou arrependida de ter metido você e sua família nessa história. Mas agora não da pra voltar atrás. Então eu quero que você me prometa uma coisa.
__Qualquer coisa.
__Logo que tiver a oportunidade, fuja e leve Rachel, Jack e Tyler.
__Eu não vou te deixar sozinha.
__Peter, acredite, vai ser melhor pra mim... e pra vocês claro. Se você quer mesmo me ajudar, faça isso. Por favor.
__Tudo bem. Eu vou fazer.
__Obrigada.__Eu disse o abraçando novamente.
Isso me deixava mais calma. Saber que eles estariam a salvo já alimentavam as chances de eu ganhar.

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