quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Capítulo 13

Batalha

Lá estávamos nós. Dentro do carro de Peter. Ele dirigia e eu ia no carona.
Frederick estava no próprio carro, logo a nossa frente.
Meu coração estava a mil. Mesmo com Peter segurando minha mão, o que normalmente me acalmava, nem que fosse um pouco.
Viajamos em silencio, enquanto eu criava estratégias de batalha na cabeça.
Não sei em que Peter estava pensando, mas estava ocupada demais pra perguntar.
A viajem foi mas rápida que eu esperava.
Estacionamos os carros na rodovia e fomos a pé até a clareira. Calmamente, afinal, ainda eram nove hora da noite.
Chegamos à clareira quase dez horas. Peter estava cansando então nos tentamos perto de uma arvore enquanto Frederick deu a volta pela clareira, procurando pontos que me pudessem favorecer.
Depois de dar a volta inteira na clareira, Frederick foi até onde u e Peter estávamos sentados.
__Você só treinou os elementos Ashley.__Ele disse, parando na minha frente__ Acho que seria bom você treinar luta também.
__Por mim tudo bem. __Eu disse, ficando de pé.
__Você luta? __Peter perguntou, logo que eu fiquei de pé.
__Digamos que é uma habilidade que vem no pacote. Por que?
__Porque tem uma coisa que você não sabe sobre mim.
__O que mais eu não sei sobre você?
__Eu sou faixa preta em Kung-fu.
__Preta?! Serio? Tudo bem. O que mais eu não sei sobre você? Você coleciona ossos e usa lentes de contato azuis porque seus olhos são vermelhos?
__Eu tenho cara de quem coleciona ossos?
__Definitivamente não.
__Que bom. __Ele disse ficando de pé __Quero ver o que sabe fazer.
__Você primeiro. Já assistiu demais por hoje.
__Tudo bem.
Peter foi até o centro da clareira e se preparou.
Depois ele fez uma sequêcia de movimentos digna dos filmes do Jack Chan. Ok, talvez nem tanto, mas com certeza eu não esperava que ele fosse tão bom.
Ele caminhou na minha direção, ofegante e disse:
__O que achou?
__Fascinante.
__Só isso?
__Fascinante, incrível, incrível... Agora é minha vez.
Fui até o centro do campo e me posicionei. Concentrei-me e iniciei a seqüência de chutes aéreos,acrobacias entre outras coisas que você pode imaginar.
Ao contrario de Peter, eu não fiquei cansada tão rápido. Demorou pelo menos o dobro de movimentos pra eu ficar cansada.
Parei quando ouvi um barulho, um estalo. Como se algo tivesse se quebrado. Algo como um galho grosso, ou algo do tipo.
Pelo visto eu não fui a única a ouvir, porque Frederick, olhava atentamente para a mata, de onde o som veio enquanto Peter parecia confuso.
E então eu vi, eram pelo menos 20. Saiam de todos os lados da mata e caminhavam silenciosamente para o centro da clareira, que por acaso, era onde eu estava.


Demorei um pouco para achar, no meio de todos aqueles rostos, o rosto que me fez estremecer. Joan.
__Olha! __Ele disse__ Pelo visto vocês também resolverem vir mais sedo.
Já eram quase onze horas e a lua estava coberta por uma fina camada de nuvens. Mas o escuro não impediu de ver o momento exato em que dois homes altos entraram na clareira, puxando Rachel, Jack e Tyler pelo braço. Quase instantaneamente olhei para Peter, que olhava com a pior expressão possível para onde seus pais estavam.
__Talvez você queira adiantar a nossa pequena... discussão.__Joan disse. Não consegui segurar um rosnado que subiu por minha garganta. Baixo, mas o bastante para ele ouvir__ Calma tigresa. Guarda essa fúria toda para a batalha. Você vai precisar.
__É o que você pensa.__Eu disse e minha voz saiu feroz, como nem eu mesma já tinha ouvido.
__Tudo bem, vamos as regras...
__Cada um por si.__Eu interrompi__ Nada de ajuda dos outros e nada de confrontos entre nossos aliados. Apenas eu e você.
__Parece justo. __Ele disse sorrindo. Confiante. Confiante demais por meu gosto. __ A batalha vai até que alguém desista ou tenha o pior dos fins... se é que você me entende. Se você ganhar eu abandono meu plano de dominação mundial e se eu ganhar...
__Se você ganhar eu estarei morta. __Eu disse, mas soou mais como um rugido.
__Tudo bem. dois minutos. Despeça do seu namoradinho enquanto pode.
Não respondi. Apenas me virei e fui até onde Peter estava.
__Você consegue Ashley.
__Eu espero que sim__ Eu disse o abraçando. Devo ter os dois minutos inteiro o abraçando, porque quando eu o soltei só deu tempo de Frederick dizer “Boa sorte Ashley. Eu sei que você consegue.” antes de Joan me chamar para o centro da clareira.
Tirei minha jaqueta e a larguei pelo caminho. O que me deixava apenas com o converse preto, shorts jeans que batiam no meio da coxa e um camiseta xadrez. Meu cabelo estava preso numa trança, mas minha franja chicoteava meu rosto por causa do vendo forte, que por acaso eu estava controlando.
Fazia parte do meu planinho particular.
De acordo com Frederick, as possibilidades de Joan saber que eu já sabia controlar os elementos eram mínimas, então eu devia usar isso a meus favor, a principio, sem que Joan soubesse que ela eu e então, quando ele já estivesse cansado, eu usaria o fogo e o surpreenderia.
Parei de frente para Joan, a poucos metros dele e fiz o vendo ficar mais forte, vindo de traz de mim. Frederick disse pra eu usar os elementos para parecer mais ameaçadora.
__Quando quiser. __eu disse com um sorrisinho sarcástico, tentando parecer confiante.
__Pronta? __Ele perguntou
__Sempre.
__Então declaro essa batalha oficialmente iniciada.
Mal esperei ele terminar de falar e movi o bloco e terra que estava abaixo de seus pés fazendo Joan voar a uns dez metro de altura. Depois coloquei o vendo bater contra ele o que o fez voar a uns cinqüenta metros dentro da mata.
Eu sei o que vocês devem está pensando... Eu devia ter esperado pra usar os elementos, mas eu não resisti em fazer isso! Eu tinha que ver o que ia acontecer se eu o fizesse, então simplesmente... Fiz! Simples assim! E o resultado foi melhor que o esperado. Demorou quase um minuto pra eu ouvir os passos dele se aproximarem pela mata. E quando ele apareceu, sua situação me fez rir. Sem brincadeira! Eu soltei um risinho abafado, mas foi o bastante pra ele bufar de raiva. Mas também, qualquer um riria de um cara totalmente descabelado, com a roupa toda suja e cheio de folhas e terra.
Mas a graça não durou muito, porque logo em seguida ele avançou na minha direção, mas devia estar tão zonzo por causa do tombo, que avançou quase em câmera lenta. Só precisei mover o corpo levemente para a esquerda e ele foi parar uns bons 3 metros atrás de mim. Isso seria mais fácil do que eu pensei.
Quando ele tentou me atacar de novo eu dei um chute em sua barriga, com força o bastante pra ele voar pra traz, deixando dois riscos feitos por seus sapatos na terra.


Já tinha quase me esquecido do fator “Amedrontar”. Fiz o vento voar por traz de mim novamente, sempre com o mesmo sorrisinho confiante.
Joan a essa altura já estava azul de raiva.
Dei dois passos na direção dele, que estava parado, arfante, levemente curvado por causa do chute na barriga.
O olhei de cima a baixo e quando ele tentou me acertar com um soco, tudo que eu tive que fazer foi segurar seu braço e torcê-lo como se fosse um pedaço de pano. Ele soltou um gemido de dor enquanto meu sorriso só aumentava.
Quando soltei seu braço ele cambaleou para trás e por pouco não caiu.
__Vai desistir? __Eu disse __Porque isso está fácil demais.
Foi ai que avançou sobre mim, me fazendo voar a metros de distancia, fazendo um enorme buraco na terra com meu impacto. Aquilo realmente doeu.
Eu ainda estava deitada quando ele se aproximou de mim e me acertou num chute na barriga. Aquilo doeu ainda mais.
Antes que ele me desse outro chute eu segurei a perna dele e o joguei pra longe , depois fiquei de pé, com um pouco de esforço. Eu devia estar quase pegando fogo porque eu nunca senti tanta raiva de alguém em toda a minha vida. O vendo começou a soprar com tanta força que a terra que havia se acumulado perto do buraco que meu corpo havia feito começou a voar para todos os lados.
Dessa vez não perdoei. Avancei nele com toda a força e acertei soco depois de soco naquela cara lavada dele.
Me afastei um pouco quando notei que seu nariz estava sangrando. Então fiz aquilo que sempre quis fazer: Acertei um chute com toda a força nas partes baixas dele. Ele se contorceu todo e caiu no chão. Não hesitei em repetir minha primeira manobra, fazendo com que um enorme bloco de terra o empurrasse para cima, mas dessa vez não usei o vento, apenas esperei que ele caísse com força na clareira. Ele não se moveu, apenas ficou lá, jogado no chão, com os olhos bem arregalados, arfando. Então fiz uma coisa um tanto divertida. Algo que eu queria faze dês do inicio mas tinha que esperar a hora certa.
Mandei todo o calor do meu corpo para a ponta dos meus dedos e logo minhas mãos estavam em chamas. Dei uma leve gargalhadinha maléfica e disse:
__Você ainda pode desistir.
Ele me olhava com os olhos mais esbugalhados que eu já vi.
__Isso é impossível!__Ele disse, e sua voz saiu esganiçada __Como você pode...
__NUNCA me subestime Joan. Você acha mesmo que eu teria te desafiado se não tivesse certeza de que ia ganhar? Eu não sou esse tipo de garota Joan.
Ele não respondeu nada, apenas continuou me olhando com aquela cara de desespero.
Aquele sorrisinho confiante já quase não era mais só atuação, porque eu estava percebendo que Joan estava mesmo arrependido de me enfrentar...
Foi ai que eu vi que Joan não estava mais no chão, e muito menos a poucos centímetros de mim.
Ele tinha me enrolado! Queria que eu pensasse que ele estava prestes a desistir e conseguir tempo para se recuperar. Quando eu fui ver ele já havia me acertado por traz, bem nas costas, me fazendo cair pra frente. Eu teria metido a cara no chão se eu não tivesse apoiado as mãos no chão com meu rosto a poucos centímetros do chão.
Dei impulso com os braços e fiquei de pé novamente, aquele sorrisinho sumindo do meu rosto de vez. Eu realmente não queria sorrir, porque eu estava com raiva, muita raiva. Me virei de frente para Joan soltando um rosnado baixo.
Depois disso eu duvido que alguém pudesse ver o que estava acontecendo e quem estava ganhando, porque eu e Joan no atracamos exatamente no mesmo instante e a batalha começou de verdade. Eu desviava dos chutes e socos com a mesma freqüência com que eu dava.
Estava empatado. Ninguém estava na vantagem até que eu resolvi acabar com aquilo de uma vez. Acertei um soco na barriga de Joan com toda a força que eu consegui fazendo com que ele voasse para traz e batesse com força numa arvore, que fez um estrondo e depois caiu, expondo as raízes.

Quando Joan se levantou e veio mancando na minha direção, minhas mãos na estavam em chamas, chamar que eu comecei a atirar nele. Ele conseguiu desviar das três primeiras mas a quarta o acertou, fazendo sua blusa ficar em chamas. Ele tentava a apagar as chamas desesperadamente, mais não eu não o poupei o bastante para isso, apenas fiz com que as chamas tomassem conta de todo o seu corpo. Eu realmente não queria saber o que aconteceria as seguir, e a raiva foi maior que a pena, então eu simplesmente abri um buraco no chão, que engoliu seu corpo em chamas e se fechou antes que eu pudesse notar o quando ele já estava queimado.
Um silencio mortal tomou conta da clareira. Fiquei olhando para o nada, sem conseguir me mexer, por alguns segundos, que pra mim, parecerem horas. Foi ai que meus joelhos cederam e eu caí, ajoelhada. Algumas lágrimas escorreram por eu rosto.
Eu tinha mesmo feito aquilo? Eu tinha mesmo tirado uma vida... Por mais que essa vida fosse de alguém que realmente não devia viver?
Foi então que eu senti dois braços aconchegantes me abraçarem por traz.
__Você fez o que tinha que ser feito__ Peter disse em meu ouvido __Acabou.
Sequei meu rosto com as mãos e depois Peter me ajudou a ficar de pé.
Eu estava dolorida e havia um corte na minha testa.
Me levantei e Peter me puxou para onde Frederick estava. Digo, tentou puxar, porque eu não me movi. Ao invés disso, eu o abracei e depois o beijei. Um beijo de alivio, daqueles que tem no fim dos filmes, quando os mocinhos vêem que tudo acabou, que eles podem seguir sua vida normalmente.
Mas eu não tinha tanta certeza quanto a parte de viver a vida normalmente.

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